O MEU VERDADEIRO ARTISTA.

Enquanto eu limpava em volta de umas tintas antigas para conseguir descobrir suas cores encobertas por poeira com os anos, pois ando com um desejo imenso de voltar a pintar.
Lembrei do meu pai quando eu ainda bem pequena fazia desenhos para ele levar e colocar de enfeite em seu escritório.
Certo dia meu pai que me achava uma artista me deu pedaços pequenos de madeirite cortados por ele mesmo e com um pedaço de papel cartão colado em cima e disse para eu fazer quadrinhos.
Um dia disse para mim que havia conversado com um professor de pintura em tela e que ele disse que eu poderia fazer parte da turma.
Eu tinha acabado de fazer 11 anos, meu pai com muito esforço comprou o material que o professor pediu na lista para eu começar, um pincel 20 se não me engano, uma espátula (de plástico na época), tintas preta, azul, amarela, vermelha e branca, uma tela painel 50/70.
Lá íamos nós todas as quintas-feiras.
Eu estava animada, meu professor era o máximo e ainda por cima disse que eu tinha um dom. Eu nem me importava de ter 11 anos em uma sala onde todos os outros alunos já eram senhores de idade rs... eu sabia que eu era diferente por gostar daquilo na minha idade, mas para mim tudo bem.
Meu pai ansioso, ficava feliz e surpreso a cada quadro novo que eu trazia para casa.
E sabe como trazíamos?
De moto, era uma "bizinha" a moto do meu pai, colocávamos plásticos na minha perna e nas costas dele e lá vinhamos nós equilibrando a pintura para não melecar tudo e sabe... melacava, sempre melecava e tinta óleo não sai rs... minha mãe que o diga! Mas ela adorava por quadros novos na parede, ficava olhando admirada a nova pintura e eu me sentia o máximo.
Ela se esforçava muito também, por sua vez juntava caixas e mais caixas de leite para eu fazer de paletas de tinta. Hoje reconheço o trabalhão que eu dava.
Vejo o esforço do meu pai, vi o preço do material e é muito alto, não mudou muito de lá para cá, sempre foi alto.
E meu pai chegava do trabalho de surpresa sempre com umas duas tintas novas, pincéis, revistas de desenhos "eram caras", carvão, removedor, telas... Ainda ofegante e cansado após um dia de trabalho lá vinha ele ansioso para contribuir com a minha arte. Hoje vejo e reconheço o quanto se esforçou e o quanto acreditou em mim, o quanto confia em mim e no meu potencial, as vezes mais que eu mesma!
Por isso quero dizer que hoje tenho plena convicção da realidade: Pai, você que é e sempre foi o meu artista, obrigada por sempre colorir minha vida com sonhos. Te amo.

Iris Belmudes

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